KIT RELAÇÃO

KIT RELAÇÃO

06/05/2015

Mesmo que o defeito, aparentemente, se localize em apenas uma das peças, o ideal é manter a harmonia do conjunto, trocando-se a relação por inteiro. 

Por Paulo Carneiro

No trânsito, na estrada ou na trilha, pilotar uma moto é sinônimo de prazer, aventura e praticidade, mas isso exige um toque de habilidade a mais quanto à manutenção preventiva e ao uso de equipamentos de segurança. Em qualquer situação, a regra é nunca deixar de lado a pilotagem defensiva, usar sempre capacetes, jaquetas, luvas e botas de boa qualidade e ficar de olho na máquina. Um mero descuido pode acarretar transtornos ou vexames, como uma parada no trânsito devido a uma corrente quebrada ou fora do lugar. Antes que isso aconteça, veja se não está na hora de trocar o kit relação, independentemente da quilometragem acumulada, como recomendam engenheiros e técnicos ouvidos pela Revista Pellegrino. Mesmo que o defeito, aparentemente, se localize em apenas uma das peças, o ideal é manter a harmonia do conjunto.
“O recomendável é que a relação seja trocada por inteiro, uma vez que a troca de apenas um ou dois componentes isolados é antieconômica e prejudicial”, afirma o diretor comercial da KMC, Roberto Xavier. “Isto porque, quando colocadas, as peças novas são rapidamente desgastadas pelo contato com a peça envelhecida”, diz. “O pinhão deve encaixar com uma folga mínima, pois qualquer folga pode acabar destruindo as estrias do eixo.” De acordo com Roberto, em alguns casos, o pinhão possui um ressalto em um dos lados e é muito comum o erro de montar a peça com o ressalto para o lado oposto. “Esse ressalto é importante para manter o pinhão alinhado com a coroa, alinhamento esse que evita um desgaste prematuro da relação.” Ele recomenda que, durante a montagem, o mecânico fique atento ao alinhamento com a coroa. “Olhando a moto por trás, a certa distância, dá para conferir se está tudo certo”.
 
Desalinhamento
Roberto afirma ainda que os rolamentos da balança e da roda também podem causar desalinhamento entre o pinhão e a coroa. “Para saber se eles estão defeituosos ou não, meça com uma trena a distância entre o eixo da balança e o eixo da roda traseira e verifique se há alguma diferença”, diz. “É bom observar o estado de conservação das chapas de travamento, das porcas autotravantes e anéis-trava, pois esses itens sofrem muita vibração e podem se soltar se não estiverem em bom estado.” Os cuidados com a máquina, contudo, não ficam só nisso.
 
Manutenção regular
Roberto recomenda que o piloto mantenha tudo sempre limpo, além de lubrificar a corrente, coroa e pinhão com regularidade. “O sistema pode ser lavado com água e sabão e, depois de seco, lubrificado com o óleo indicado, com cuidado para evitar vestígios de sujeira, areia ou terra que possam acentuar o desgaste.” De acordo com o técnico, existem dois tipos de correntes de transmissão, como as “convencionais reforçadas” e as com retentor (o’ring). “Os sistemas que utilizam correntes convencionais reforçadas requerem maior cuidado na manutenção. Já os sistemas com retentor têm vida útil maior, pois os retentores vedam os lubrificantes dentro dos componentes da corrente. Ambos, no entanto, precisam de lubrificação e ajustes para prolongar ao máximo o tempo de vida de todos os componentes.”
 
Atenção ao ano
Também para o gerente de engenharia da Riffel, Duglas Greuel, a troca do kit relação deve ser realizada após a observação de desgaste na região do diâmetro primitivo dos dentes, quando o alongamento da corrente chega ao limite indicado pelo parafuso ajustador, conforme o manual do fabricante. A exemplo de Roberto Xavier, Greuel afirma que o kit relação deve ser substituído por completo, ou seja, coroa, pinhão e corrente, sempre por um profissional qualificado. Para o engenheiro, o piloto precisa ficar atento na hora da troca. “É obrigatório verificar o modelo e ano de fabricação da moto, assim como comprar sempre produtos de marcas conhecidas, com anos de mercado”, diz. “Verifique também se as informações contidas na embalagem realmente condizem com as peças que estão sendo vendidas.”
Entre as dicas para prolongar a vida útil do sistema, ele recomenda lavar, secar, lubrificar e ajustar a folga da corrente. “No caso da corrente sem o’ring, a lubrificação é suficiente, se ela não estiver suja. Quando ela estiver com acúmulo de sujeira, tais como areia, barro, partículas de asfalto ou outra qualquer, faz-se necessário lavar a corrente em toda a sua extensão”, afirma. “O ideal é colocar a moto sobre um cavalete, facilitando assim a limpeza tanto na parte superior quanto na inferior.” Para secar, Geuel recomenda um jato de ar comprimido. “Após essa limpeza, deve-se fazer a lubrificação com óleo SAE 80-90, tirar excesso com pano seco e limpo, girando a roda traseira.” Já no caso da corrente com o’ring, ele recomenda que não se use ar comprimido para a limpeza, mas apenas um pano limpo, bem como é necessário evitar produtos que possam danificar o o’ring, como os solventes.
 
Período de chuvas
O engenheiro recomenda ainda que a limpeza e lubrificação sejam feitas com mais frequência no período de chuva, redobrando os cuidados com a folga entre os componentes da corrente. “Quando correntes e engrenagens ficam expostas à água, há uma diminuição na vida útil, causada pela corrosão, o movimento inexato da rotação dos rolos da corrente, desgaste súbito e insuficiência na flexão devido à ferrugem e sujeira em todas as partes do kit transmissão.” Ele chama a atenção ainda para a falta de visibilidade e pistas escorregadias, causadas por óleo, poluição, areia e barro sobre a pista, o que pode provocar acidentes.
 
SAIBA MAIS
 
RIFFEL
(11) 8373-3030
 
KMC
(11) 5548-4226