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Reinvenção

Reinvenção

15/10/2020

Mesmo com as medidas restritivas adotadas na pandemia e os solavancos da economia, muitas empresas se adaptaram rapidamente e cresceram

Por Regina Ramoska

 

As oficinas mecânicas não tiveram suas atividades restringidas em meio à pandemia da covid-19. Havia, entretanto, o receio de que os proprietários de veículos, estes sim, reclusos em suas residências, desaparecessem. Não foi o que ocorreu na Oficina Box 22, em Parelheiros (SP), que comemorou tanto o volume de trabalho quanto a chegada de novos clientes – quase 70%. Com o aumento no movimento da oficina de 50 m2, Tiago de Oliveira Schmidt não teve condições para dar continuidade às postagens de divulgação de seu trabalho nas redes sociais.

Tudo aconteceu no boca a boca. Com o sucesso, o mecânico já arruma as caixas para mudar para um espaço quatro vezes maior, onde conseguirá instalar o tão sonhado elevador.

Esse exemplo ilustra que, recorrendo a soluções próprias, muitos empreendedores conseguiram se reinventar. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo (Sincopeças), Francisco Wagner De La Tôrre, em abril e maio, sem atendimento presencial, o faturamento do varejo de autopeças caiu pela metade. “Mas, a partir de junho, ocorreu uma recuperação paulatina, gradual, e hoje alcançamos em torno de 80% do nosso faturamento em comparação com o mesmo período de 2019.”

 

Competência

Com a quarentena, a utilização de tecnologia em todas as suas plataformas tornou-se o novo normal. “Historicamente, o setor de reposição, mais precisamente o varejo, sempre soube se reinventar. As lojas se adaptaram muito rapidamente para a venda online e por WhatsApp, e isso veio para ficar – é a grande herança da pandemia. O desafio, daqui para frente, é não se preocupar apenas com o processo de informatização do negócio, mas se preparar para trabalhar em todas as plataformas, operar em seus processos e na sua gestão com a utilização desses recursos, tanto no atendimento aos seus clientes como no abastecimento junto aos fornecedores”, reflete o executivo.

Para o consultor financeiro do Sebrae-SP Felipe Chiconato, a agilidade na leitura do cenário e a capacidade de adaptação foram essenciais para aqueles que se mantiveram vivos ou cresceram, mas o processo de profissionalização dos negócios – com organização financeira, conhecimento sobre os clientes e divulgação – teve peso determinante. “Muitos varejistas atribuem o sucesso ao meio digital, mas essa não é a única razão: havia conteúdo anterior. Abrir um e-commerce é muito parecido com inaugurar uma loja em uma rua sem saída, pois ninguém sabe que você existe, será preciso um bom investimento em marketing e propaganda para dar visibilidade e trazer clientes para a loja”, compara. Para ele, mesmo com as incertezas e a economia encolhida, as pes­soas não pararam de consumir, mas as prioridades mudaram. “Com o home office, quem utilizava o carro para se deslocar para o trabalho teve tempo para revisá-lo, até porque, em muitos casos, a compra de um novo veículo foi adiada. Com a grande oferta de cursos online e tempo disponível, o autosserviço também teve crescimento.”

Quem faz a leitura dessas novas demandas tem mais chances de se destacar, garante o consultor, lembrando que, daqui em diante, as experiências de compra também serão diferentes. “No comércio, a loja pode ser criteriosamente higienizada antes da abertura, mas certamente o consumidor terá melhor impressão se a maquininha de cartão ganhar um bom banho de álcool gel na hora ao ser utilizada”, exemplifica.

Chiconato acredita que na retomada das atividades haverá menos concorrência, já que muitas empresas encerraram suas atividades. Segundo a consultoria Boa Vista, especialista na atividade de crédito no Brasil, o número de falências decretadas em junho de 2020 subiu 71,3% em relação a igual período no ano anterior. No médio prazo, no entanto, a disputa vai crescer devido ao empreendedorismo por necessidade, ou seja, novos negócios abertos por pessoas que perderam seus empregos. “É fundamental saber em que patamar a empresa está e onde quer chegar ou, como diz o ditado, qualquer caminho serve. O empreendedor tem que ser o protagonista do seu negócio, não pode ficar à deriva, esperando as coisas acontecerem”, reforça o especialista, frisando que a tarefa é urgente. “Acredito que serão necessários de 7 a 9 anos para que a economia volte ao normal.”

De La Tôrre também acredita que haverá abertura de novos negócios, mas entende que não serão ameaça às empresas já posicionadas e devidamente estruturadas, ainda que financeiramente debilitadas. “Fica como recado que o varejo tem de continuar muito atento à gestão do seu fluxo de caixa e ao investimento em tecnologia, dentro do possível. Também deve buscar recursos fazendo promoções de produtos que não estão girando no estoque e, nesse sentido, o processo de digitalização é fundamental: o varejo, historicamente, sempre trabalhou com seu entorno e hoje, com essas ferramentas, está conectado com o mundo.”

 

 

Mais clientes e contratações

 

A Stock Car Auto Peças, em Nova Friburgo (RJ), engrossa a lista das empresas que cresceram em meio à crise provocada pela pandemia da covid-19. O disque peças, que já tinha uma boa cartela de clientes, ganhou tamanho impulso nos últimos meses que houve necessidade de contratação de mais três colaboradores, também para ajudar no drive thru. Mas não foram só os clientes fiéis que alavancaram as vendas na quarentena: o proprietário Renato Lopes de Souza conta que a fase foi propícia para consolidar namoros antigos. Com bom estoque e preços diferenciados – e muitos concorrentes sem produtos ou jogo de cintura para negociar –, ele conquistou consumidores para os quais queria vender há tempos.

 

 

Ao ar livre

O Ofertão das Peças, em Anápolis (GO), teve queda de 30% no faturamento no início da pandemia. Depois de uma semana fechada, a loja teve de enfrentar restrições no horário de funcionamento. Para driblar as adversidades, o proprietário Hélio Alves Pereira não só manteve as estratégias de divulgação, com panfletagem nos semáforos e anúncios nas rádios e TVs locais, como caprichou nas interações pelo WhatsApp para divulgar promoções de itens de menor giro no estoque. Foi um sucesso: sem poder receber os clientes internamente, o estacionamento ao ar livre virou extensão da loja. Foi a solução para enfrentar outra consequência da covid-19, o desabastecimento de mercadorias. “Agora, nosso foco é voltar aos 100%”, finaliza o empresário.

 

 

SAIBA MAIS

FELIPE CHICONATO (SEBRAE-SP)

0800 5700800

Instagram: @chiconatof

www.sebraesp.com.br

FRANCISCO WAGNER DE LA TÔRRE (SINCOPEÇAS-SP)

(11) 3287-3033

adm@sincopecas.org.br

www.sincopecas.org.br