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Entreposto de solidariedade

Entreposto de solidariedade

07/02/2018

Empresário de Poços de Caldas de família tradicional na repaosição integra entidade de apoio a carentes tão estruturada que ex-beneficiados hoje são auxiliadores

Por Nei Bomfim

A Simões Auto Peças, instalada na rua das autopeças em Poços de Caldas (MG) –a Marechal Deodoro–, abriga duas tradições. Ali, na sede de 220 metros quadrados e quatro funcionários além dos familiares, o empresário João Batista Simões Júnior mantém a vocação automotiva que veio dos avós dos dois lados; e fez da loja um entreposto de solidariedade.


Junior abriu o negócio em 1995 como sócio do pai, com quem ele já trabalhava em concessionária havia dez anos. A opção foi por autopeças da linha leve, incluindo lubrificantes. “Aprendi a responsabilidade na relação da compra e venda”, afirma. “E que, quando a inadimplência cresce, não se força a situação –a loja é sempre a parceira do mecânico.”


Uma prática particular do empresário, mas que usa a loja, já virou também tradição na sua vida. Faz 28 anos que ele se juntou aos vicentinos, a tradicional sociedade católica beneficente, na assistência a famílias necessitadas. São 350 as famílias cuidadas na cidade.


Essa ação é estruturada de maneira que os beneficiados possam dispensar a ajuda inicial, que consiste de alimentos, e resolvam sua situação econômica. “O alimento é só uma maneira de estar perto do necessitado: a função principal é evangelizar e promover a família para que ela possa se sustentar sozinha”, explica João Batista.

Missão de formiguinha


Assim que a família é admitida –após passar por “sindicância”–, a estrutura se movimenta em várias direções. Além do alimento, que chega principalmente em campanhas de doação nos supermercados, busca-se encaminhar crianças e adolescentes para creches e escolas, e os adultos, para oportunidades de trabalho. “É missão de formiguinha.”


Certa vez, quando presidia instituição pertencente à Sociedade São Vicente de Paulo, que abrigava meninos carentes, conseguiu, juntamente com sua equipe, trabalho e moradia para todos os garotos que, ao completar 18 anos de idade, deveriam, por força do estatuto, deixar a entidade. “Nós arrumamos uma casa para morarem juntos”, conta. “Hoje, eles já estão com 30 anos e casados, mas ainda me chamam de ‘tio’”, ri, com carinho. Outra história interessante é a de uma senhora que já foi apoiada, conseguiu se reerguer e hoje se somou no auxílio aos carentes.


O empresário enfatiza que, conforme sua crença, se esforça para desvincular a ação da loja. Mas sabe que seu papel de empresário de alguma maneira o ajuda a ajudar. “Aqui vêm tanto pedir apoio, quanto oferecê-lo.”