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IGNIÇÃO ELETRÔNICA CENTELHAS NA HORINHA EXATA

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IGNIÇÃO ELETRÔNICA CENTELHAS NA HORINHA EXATA

16/03/2017
A partida falhou? O problema pode estar em qualquer parte do sistema: nas velas, nos cabos, na bomba de combustível, na sonda lambda... O ideal é fazer periodicamente a manutenção preventiva do sistema por completo
 
Por Paulo Carneiro
 
O mau funcionamento do motor na hora de dar a partida é sempre um teste de paciência para o motorista, ainda mais quando o veículo se desloca aos trancos, deixando um rastro de fumaça no ar. Quem passar por uma situação como essa, precisa manter a calma e procurar uma oficina de confiança para uma avaliação antes de tomar qualquer providência. Além das dores de cabeça, as falhas impertinentes também são responsáveis pelo consumo excessivo de combustível e o desgaste prematuro de diversos componentes.
De modo geral, o problema começa no sistema de ignição, que é responsável pelo processo de combustão e garante uma queima total da mistura ar/combustível, “desde que esteja em perfeito funcionamento”, segundo o chefe do Centro de Treinamento Automotivo da Bosch, Diego Riquero Tournier. Para o profissional, nunca é demais seguir as recomendações do manual do fabricante na rotina diária, mas existem algumas dicas práticas que podem contribuir para o prolongamento da vida útil do sistema.
No caso das velas de ignição, Tournier recomenda que seja feita uma verificação a cada 15 mil quilômetros, o que também é recomendado pelas montadoras. “A análise dessa peça revela muitas informações importantes sobre as condições de operação do motor, uma vez que velas gastas ou danificadas podem comprometer o desempenho.”
Na ocasião da troca, segundo ele, é fundamental que o mecânico consulte o manual do veículo ou a tabela de aplicação disponível nas oficinas e lojas de autopeças, para verificar qual é o tipo adequado ao motor de cada veículo. Nessa mesma linha, Tournier recomenda que o motorista só abasteça em postos de extrema confiança, de modo a evitar o risco de produtos adulterados. “Combustíveis de procedência duvidosa costumam encurtar a vida útil destes componentes e podem provocar danos severos ao motor e ao sistema de injeção e ignição, como a carbonização dos eletrodos das velas.”
O professor adverte que o ideal é evitar o acúmulo de resíduos na câmara de combustão, mas, se isso acontecer, existem medidas corretivas a serem adotadas. “Quando o pé do isolador, os eletrodos e a carcaça da vela apresentam-se cobertos por essa camada fosca de fuligem, geralmente de consistência preto-aveludada, é necessário ajustar o ponto de ignição e regulagem de mistura, verificar o filtro de ar, evitar percursos curtos frequentes. Em casos de carbonização grave, porém, é preciso substituir as velas e atentar para o uso da peça no grau térmico correto”, recomenda. “É bom lembrar que a carbonização excessiva provoca falhas de ignição e dificuldades de partida a frio.”
Ele explica ainda que a formação dessa camada de carbono tanto pode ser causada pelo ajuste errado da mistura quanto pelo excesso de sujeira no filtro de ar, ou ainda pelo mau funcionamento do afogador automático, sem contar os percursos curtos frequentes e o eventual uso de uma vela fria demais em relação às especificações do motor. “Se por acaso surgir uma camada úmida de óleo e resíduos de carvão, o fato pode estar relacionado ao óleo em excesso na câmara de combustão, ou ao nível muito alto no cárter, além de problemas nos guias de válvulas, nos cilindros e em anéis do pistão excessivamente gastos”, diz Tournier, que também faz recomendações para outros componentes do sistema.
Para o especialista da Bosch, os cabos de ignição precisam receber os mesmos cuidados na manutenção preventiva, já que são responsáveis pela transmissão da corrente elétrica de alta tensão que chega às velas. “A Bosch recomenda que eles sejam testados e revisados a cada 15 mil quilômetros, evitando problemas no sistema de ignição. Um cabo danificado pode gerar interferências eletromagnéticas ou fuga de corrente, causando falhas no motor, além do consumo excessivo de combustível.”
Ele acrescenta ainda que os cabos em mau estado podem afetar o desempenho do catalisador, que atua na preservação ambiental e contribui para o bom desempenho do veículo. “Para evitar o desgaste prematuro do catalisador, é importante manter a regularidade na manutenção e primar pela qualidade do combustível utilizado”, afirma. “Como ele está ligado à sonda lambda, pode sofrer desgastes decorrentes de uma mistura muito rica ou muito pobre no sistema.”


 
Sonda lambda
De acordo com Tournier, cabe à sonda lambda determinar o volume de combustível a ser injetado no motor, assim como detectar a qualidade da mistura utilizada. Quando o sensor detecta excesso de oxigênio, significa que está sendo utilizada a chamada mistura pobre, enquanto a escassez revela a presença de uma mistura rica demais, que significa desperdício de combustível e prejuízos ao desempenho do motor. Dessa maneira, em sua opinião, a sonda lambda é um componente vital no sistema de injeção eletrônica, por ser encarregada de medir a quantidade de oxigênio presente nos gases liberados no escapamento. “Em perfeitas condições, ela emite sinais eletrônicos para que a unidade de comando determine o volume exato de injeção de combustível, podendo gerar uma economia de até 15%, além de proporcionar mais potência ao motor e uma vida maior ao catalisador”, afirma.
“No dia a dia, o principal sintoma que o motorista pode perceber, em caso de um defeito funcional, é o aumento do consumo de combustível.” Segundo Tournier, sua durabilidade é relativamente grande, desde que o veículo tenha manutenção preventiva com regularidade e seja abastecido com combustível de primeira. “Para garantir ainda mais a eficiência, recomenda-se uma revisão a cada 30 mil km, com equipamentos de teste apropriados. Vale salientar que uma sonda lambda defeituosa não irá informar os dados corretamente, o que pode afetar os sistemas de injeção e ignição eletrônica.”
Tournier adianta que, em caso de defeito, a peça tem de ser substituída, já que o sensor de medição dos gases está instalado internamente e não pode ser removido. Essa avaliação, entretanto, precisa ser feita com cuidado a fim de evitar a troca desnecessária da peça, que muitas vezes pode ainda estar em perfeito estado. “Para realizar um diagnóstico assertivo sobre o sensor da sonda lambda, a oficina deve ter um scanner de qualidade e com software atualizado. Só com esse equipamento é possível identificar o comportamento do componente e, assim, obter uma visão geral da gestão do motor”, diz.
“O primeiro passo é a seleção correta do veículo, considerando a marca, modelo, ano de fabricação e sistema de injeção eletrônica. Depois de identificar o veículo, é possível realizar a comunicação com o sistema específico de injeção e atribuir os valores de teste disponíveis, selecionando os principais parâmetros relacionados ao funcionamento e desempenho da sonda lambda.”
O chefe de treinamento da Bosch orienta para que sejam tomados cuidados com outros componentes a fim de garantir o perfeito funcionamento do motor, como a bomba de combustível e os filtros. Para começar, recomenda que seja evitado o hábito de rodar com o tanque na reserva, pois isso implica em redução da vida útil da bomba, cuja função é levar combustível do tanque para o sistema de alimentação do motor. “Além disso, a sujeira acumulada no tanque vazio pode ser aspirada, levando à saturação do pré-filtro, que é um componente que se localiza dentro do tanque, junto à bomba.”
Segundo Tournier, podem ocorrer ainda danos adicionais ao sistema de injeção, tais como saturação do filtro de combustível e entupimento das válvulas de injeção, coisas que resultarão em perda de potência ou falha no funcionamento do veículo. “Em situações extremas, caso ocorra o entupimento total do sistema, pode acontecer a parada completa do motor, mesmo havendo combustível no tanque.” Como recomendação adicional, o técnico adverte que a bomba de combustível não admite conserto, devendo ser substituída por uma nova em caso de defeito ou avaria.
 
Filtros em bom estado
Para finalizar, Tournier ressalta que, como os demais componentes, os filtros de ar, óleo e combustível precisam estar em bom estado de conservação, o que garante economia no consumo de combustível e redução na emissão de poluentes. “A recomendação da Bosch é que a troca seja feita sempre em intervalos sugeridos no manual do fabricante do veículo.”
Ele recomenda atenção no sentido de que sejam utilizados no veículo somente produtos de marcas com tradição de qualidade comprovada no mercado. “A reposição por peças com o padrão original e com garantia de fabricação e procedência é fundamental para o desempenho e segurança do veículo”, afirma. “A Bosch é a única no mercado a oferecer soluções integradas de ‘para-choque a para-choque’, dentro do conceito ‘Parts, Bytes & Service’ (Peças, Equipamentos e Serviços)”, complementa. “A empresa disponibiliza produtos com o mesmo padrão de qualidade e tecnologia dos equipamentos originais, com uma ampla e diversificada gama de componentes que cobrem 95% da frota circulante no Brasil.”
 
SAIBA MAIS
 
BOSCH
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