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O GRANDE BARATO É ECONOMIZAR

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O GRANDE BARATO É ECONOMIZAR

25/11/2016

Aproveite o momento para reorganizar a empresa, colocar as finanças em dia e perpetuar a cultura do “não ao desperdício” entre os funcionários

Por Rosiane Moro

Por mais que os economistas arrisquem a citar datas, é praticamente impossível saber quando o país retomará o caminho do crescimento. O prazo para o gráfico registrar a seta em movimento ascendente pode levar um, dois ou até quatro anos. Trabalhar em um ambiente de intempéries pode ser bem complexo, mas também pode ser visto como um ótimo exercício para colocar a empresa em ordem. Como os recursos para o negócio prosperar não estão mais concentrados apenas no faturamento, só há uma saída: cortar custos. Só que não basta definir um número fictício e passar a tesoura em tudo o que vê pela frente. A tarefa exige planejamento, escolhas sensatas, estudos de mercado, análise de alternativas e tempo de maturação para as novas resoluções surtirem efeitos.

Como ponto de partida, uma boa dica é o estudo da consultoria Bain & Compain feito com cerca de 300 empresas na época da crise econômica internacional, entre 2008 e 2009. A pesquisa constatou que 120 delas não obtiveram qualquer benefício com as ações de corte implantadas. Já entre as 68 que confirmaram terem sido bem-sucedidas, a análise constatou que todas percorreram um caminho comum. São eles:

1. Definiram os objetivos com base em dados do mercado externo, e não apenas em referências internas;

2. Adequaram seus esforços de redução de custos à estratégia de negócio;

3. Utilizaram métricas corretas;

4. Focaram na organização como um todo, considerando suas interfaces, e não apenas nas partes individuais que a compõem;

5. Envolveram toda a organização e conseguiram difundir entre os funcionários a cultura de custos sob controle.

Vale lembrar que manter os custos sob controle não é uma tarefa apenas para tempos de crise. Qualquer empresa precisa saber exatamente para onde vai cada centavo, principalmente no mercado de autopeças, onde todo mundo vende o mesmo produto. “Neste segmento, a vantagem competitiva nunca será o preço. Afinal, preço não é ferramenta estratégica, custo sim”, adverte o professor de finanças da Business School São Paulo Gabriel Erbano. Segundo ele, o primeiro passo para o controle dos gastos é identificar todos os custos e despesas da empresa e ver o que é passível de redução. Depois, definir quais são os mais importantes e a estratégia de corte que será usada para cada um. “Independentemente do momento que empresa esteja passando, todo gasto precisa ser conhecido e cada gasto ter um propósito real. Eu posso até comprar um aquário gigante com peixes exóticos, desde que eu esteja certo de que essa estratégia irá atrair mais clientes.”

 

Momento de revisão

O longo período de crise também traz suas vantagens. “Todo mundo foi afetado e as pessoas estão mais flexíveis para negociar. Os funcionários, por exemplo, antes refratários a qualquer mudança, também precisaram cortar despesas em casa. A situação do país disseminou a cultura da economia, o que torna o momento atual favorável para renegociar dívidas e reexaminar contratos”, observa o CEO da Expense Reduction Analysts (ERA), Fernando Macedo.

Um bom começo para traçar um plano de economia é rever as despesas fixas da empresa. “Os valores de aluguel variam de acordo com o mercado, então é possível conseguir uma redução com o proprietário sem precisar trocar o ponto. Outra atitude é comunicar qualquer benfeitoria feita no imóvel. Isso pode render um desconto na parcela a ser paga”, destaca Macedo. O consultor também chama atenção para despesas pequenas, como as de conta de água, luz, telefone. “Usar lâmpadas de LED, colocar sensores de presença em locais de pouco movimento, convidar os vizinhos para juntos construírem um poço artesiano para o consumo de água e renegociar os planos de telefonia com as operadoras podem gerar pequenas economias mensais, mas quando anualizamos esses valores os números ficam bem atrativos.” E não importa se a economia gerada é grande ou pequena: se é desperdício deve ser cortado.

Outro ponto importante é a tributação. “A legislação muda a todo instante e, como muitas empresas foram constituídas anos atrás, vale a pena rever o objeto social. Às vezes, uma pequena alteração no contrato social, como a troca de uma palavra ou a exclusão de alguma CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), pode resultar em uma mudança na faixa de tributação e gerar uma boa economia de impostos”, frisa Macedo. A mesma atenção vale para o estoque de peças. Reveja a quantidade de itens, faça promoções para não ficar com o capital parado e analise o que pode ser comprado em lotes maiores para ter economia no volume e o que pode ser comprado sob encomenda para os itens de pouco giro.

 

Foco no time da casa

Os funcionários são os principais aliados na busca pela economia, simplesmente porque conhecem como ninguém os meandros de toda organização. “Sei que reduzir a folha de pagamento pode ser tentador, mas é o único item dentro da empresa que mexeria apenas em último caso”, defende o consultor do Sebrae-SP, João Carlos Natal. E explica: “Custa caro demitir um funcionário e custa caro contratar e treinar outro profissional. Então, antes de gastar dinheiro com isso, sugiro analisar a quantidade de benefícios oferecidos, ver o que pode ser trocado para gerar economia e também fazer um planejamento mensal para pagar férias e 13º salário para essas despesas não terem um impacto tão forte nas contas da empresa.”

E na maioria das vezes a economia que o empresário teria com o corte da folha de pagamento é muito menor do que o lucro que ele pode obter aumentando a produtividade da equipe e colocando os funcionários para abrir outras frentes de trabalho. “Veja o caso do Uber. Não é hora de as lojas de autopeças e as oficinas oferecerem serviços especiais para esse público? Afinal, eram carros particulares que ficavam praticamente parados e agora rodam o dia inteiro e vão precisar de mais manutenção”, sugere Natal. O empresário que desejar pode receber consultoria grátis sobre o tema no Sebrae. É só ligar e agendar horário. “O importante é tomar uma atitude antes de contas se acumularem. Em tempos de bonança, até o mais desorganizado dos empresários ganha dinheiro. Já na crise, só sobrevive quem está com a empresa devidamente estruturada”, lembra o consultor.




Elci, da Liviauto, ao volante e com a equipe

Cliente satisfeito não vê crise

O proprietário da Liviauto, de Remanso (BA), Elci Dias Gonçalves, não deixou a crise passar perto da sua empresa. Para detê-la, usa dois antídotos fundamentais: parceria com os funcionários e atendimento primoroso. “Meus funcionários são a minha família. Se dou uma festa em casa, todos são convidados. Eles entendem as necessidades da empresa e eu entendo a deles”, conta. A mesma regra vale para os clientes. Se estão com problemas financeiros, Elci divide o valor em várias parcelas. A ordem é jamais deixar alguém com o carro parado por falta de dinheiro para comprar a peça.




Elci, da Liviauto, e com a equipe



Até mesmo quando não tem o que o cliente precisa, o empresário é capaz de reverter a situação. “Ligo para as outras lojas, vejo quem tem e levo o cliente de carro até lá. Ele não comprou essa peça comigo, mas com certeza será meu cliente pra sempre”, assegura.

 


Daniel, da Rede 47

Hora de crescer

Apesar de a economia ainda não estar bem das pernas, algumas empresas têm conseguido expandir os negócios. É o caso da Rede 47, da Rede Bosch Car Service, em São Paulo (SP). Em setembro, a empresa de Daniel Cardoni inaugurou sua quarta loja na capital. Isso graças ao foco na gestão. “Trabalho há muitos anos no ramo de automóveis e adoro a oficina, mas no dia a dia dedico 80% do meu tempo para a gestão e os outros 20% para a administração”, descreve. A fórmula funcionou direitinho. Durante a crise, Cardoni não cortou um posto de trabalho sequer e conseguiu até ampliar as oficinas com a aquisição de oito elevadores e a contratação de seis novos colaboradores. Isso sem contar as 12 vagas que foram abertas recentemente em função da nova loja.

 

SAIBA MAIS

 

GABRIEL ERBANO (BUSINESS SCHOOL SP)

(11) 5095-5719

atendimento@bsp.edu.br

bsp.edu.br

 

FERNANDO MACEDO (ERA)

(11) 2117-1500

administrativo@expensereduction.com.br

www.expensereduction.com.br

 

JOÃO CARLOS NATAL (SEBRAE-SP)

0800 5700800

www.sebraesp.com.br